Ospa em Pessoa apresenta: Adolfo Almeida Jr.

“Quando toco, consigo abstrair de todas as obrigações. Eu estou ali porque quero recriar aquela música da melhor maneira possível”. É assim que Adolfo Almeida Jr., fagotista da Ospa há 33 anos, descreve a sua relação com a sinfônica. Para ele, a música se tornou muito mais do que uma ocupação. Foi em torno dessa arte que ele desenvolveu toda a sua vida. Para a série Ospa em Pessoa, o instrumentista conta a sua trajetória, suas motivações e fala sobre a importância da presença do público no dia a dia da orquestra.

Desde menino, Adolfo sentia-se atraído pela ideia de se expressar através da arte. Primeiro foi o teatro, atividade que ele procurou na adolescência e que o apresentou ao mundo das trilhas sonoras. De forma independente, começou a estudar música e fazer experimentações sonoras. Aos 14 anos, descobriu a Escola de Música da Ospa. Ao conhecer o conservatório e a sinfônica, passou a frequentar os concertos. Durante as apresentações, um instrumento em particular despertou a sua curiosidade: o fagote. “Logo aquele formato diferente me chamou a atenção. O fagote se destaca no meio da orquestra”, comenta.

A partir de então, incentivo não faltou. Através das aulas de teoria musical, o maestro e professor da Escola de Música da Ospa Salvador Campanelli promoveu o encontro entre Adolfo e o instrumento que se tornaria o seu fiel companheiro. “Ele viu que eu estava meio indeciso. Pediu para olhar as minhas mãos e falou: ‘Estas são mãos de fagotista, tu tinhas que tocar fagote’”, recorda rindo. Assim, o jovem músico iniciou seus estudos formais com Günter Kramm, professor alemão que veio tocar com a orquestra na década de 60. Quando completou 18 anos, surgiu a oportunidade de integrar a sinfônica.

Na época, teve a chance de atuar no último concerto regido por Pablo Komlós, o fundador da Ospa. Com essa lembrança, Adolfo guarda com carinho outras tantas dos diversos anos ao lado da orquestra. “Foram vários concertos muito bons, sob a regência de maestros relevantes no cenário brasileiro, como Isaac Karabtchevsky e Eleazar de Carvalho”, relembra. Adolfo também comenta a importância da vinda de solistas do exterior. “Já tocamos, por exemplo, com Pavarotti em um concerto que teve solo de fagote. Na ocasião, ele me deu diversas dicas. Foi um momento que  jamais esquecerei”, conta.

Além de instrumentista da Ospa, Adolfo é professor na Universidade Federal do RS. “Me sinto como alguém que estimula e tenta passar conhecimentos adiante. É muito recompensador”, destaca. Ele também nunca deixou de lado as trilhas sonoras e a improvisação musical, ocupações que o inseriram no universo da música. A atuação na sinfônica, porém, segue sendo o que mais o contempla como instrumentista: “A orquestra é o ambiente ideal para quem quer viver de música. Como temos a meta de reconstruir obras de compositores de diversos períodos, o desafio é constante”, afirma.

Apaixonado por sua profissão, Adolfo destaca que um dos aspectos que mais o motiva é o contato com o público. “Noto que existe um carinho muito grande das pessoas com a Ospa. Isso é fundamental, porque a orquestra não é algo isolado. É importante que o público venha aos concertos e participe da vida da orquestra. É assim que se constrói um bom trabalho. A gente percebe isso nos aplausos e através desse retorno é que podemos ver que aquilo está sendo interessante para eles também. O melhor resultado sempre inclui o público”, finaliza.

 Texto: Marília Lima

Foto: Ana Eidam